terça-feira, 27 de janeiro de 2009

a bird came to me.
my hummingbird showed itself to me. and I just flew away with it.
fear. no fear.

três momentos




Totally muse...


Pus a cabeça pra fora da janela do carro, fazendo penteados com os cabelos. Gostei de me arriscar assim, foi bom, quase difícil de respirar, mas era uma corrida de coração que dava medo e suficiência pro meu momento. O olho lacrimejava da pressão toda do vento e eu aproveitava pra chorar de alegria, meio escondida. Compus a cena, fotografei em mim, e vou lembrar pra sempre do verde do lado de fora, o meu azul formigante, do lado de dentro.
Eu era criança, eu sou criança, sou inteira.
Ai, ai..., meu coração de papel... derrete na chuva...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Minha esperança veio a galope...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

get it while you can

Don´t you turn your back on love

23.01 08:08

"It´s easy to fall when you float like a cannonball..."

22.01 12:20

It´s gonna take five, it´s gonna take long, long years till I get over you.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cheirava a fumaça a casa. O que era bem natural pelos resquícios da presença do fogão à lenha, que quase nunca se encontrava completamente apagado.
O silêncio da tarde era participado de um liga e desliga do motor da geladeira e um tic-tac de um relógio antigo e persistente sobre o armário de metal da copa-cozinha.
Nenhuma poeira, apesar da terra vermelha de agosto do lado de fora da janela, de onde se avista um cachorro amarelo com dificuldade e preguiça de se coçar.
O chão de vermelhão parecia um espelho de gelatina imóvel, convidando meus pés a fazerem barulho com a borracha do solado.
Algum mosquito – mosca, como poderia querer traduzir um menos amineirado.
Os dedos, antes engordurados pelas peles e caldos, manchados do ocre do açafrão, agora cheiravam a sabonete verde barato – educadamente deixado sobre a pia à minha espera.
Os dedinhos dela tilintando sobre os joelhos. Frenéticos e falantes, os dedinhos, ocupando o espaço da timidez da falta de assunto – o que, também, não pode ser notado, já que a boa sala não se faz em silêncio.
A senhora, que quase não se sentava no sofá, a não ser nesses raros momentos de visita, vez por vez, soltava um melancólico e inspirado “ai, ai...”
O tempo parou. Eu não tinha vontade de sair dali, nem mudar o rumo da não-conversa. O que entorpecia era o mesmo que ligeiramente incomodava, mas a sensação de falta de pressa – coração desacelerado – era mais anestésica e envolvente como o cravo do doce de casca de laranja.
Me deixei ali, o olho a arder de enxergar aquela tarde amarela no meio do nada.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

red bandana

Existem umas ondas, um transporte de partículas e sensações, uma via de comunicação que manda um recado no ar, um grão de pólen pro seu nariz de memórias. Eis que o Raoni foi nos buscar no aeroporto de Rochester, na volta da viagem à Florida, e errou o caminho para Brockport. A plenitude do branco, refletindo, nos seus cristais, os vários raios de sol das últimas duas horas de sol do dia, tudo aquilo mostrava uma poeira elétrica no ar e entendi o recado quando começou a tocar Me and Bob McGee, da Janis, coisa da Branca Puntel, claro. “Laralaralara...” E era um momento red bandana style, uma vontade de sair rasgando de costa a costa, leste a oeste, me encontrar deitada sobre a grama, ou numa garupa, peito aberto e tudo na cabeça.
Ê, Branca, deixa você comigo...
Esse 2009 promete...