de lado. ao lado do vento. nariz em direção a oeste (ou era leste?). ruínas de uma cidade qualquer. tudo refletia nos óculos e na alma, naquele fim de tarde.
chá com gosto metálico, mistura com o chiclete de menta.
você passou a mão pelo meu ombro. fizemos uma promessa silenciosa em direção ao horizonte. lembrei da capa daquele disco de que gosto tanto. promessas, vontades. a cor daquele mar nunca poderia me deixar esquecer. seus dedos eram secos na minha jaqueta, mas eram os dedos suficientes. você queria se esquentar e colocava a mão dentro do meu bolso... eu lembro disso. lembro de tanta coisa.
cantamos, murmuramos na volta, no trem. os ombros, de novo, anteparo para o cansaço.
no escuro, a vela iluminava as curvas do seu rosto. e o vento fazia desenhos - vontade de interferir na minha janela pra você. aquilo era do mundo e falamos de mazelas e confortos e regramentos criticáveis. as mulheres nessa sociedade, na sociedade toda. woman in chains - gosto dessa música, chorei no show quando ouvi... ("eu sei...").
o céu nos abraçava, a lua, tudo confluía e era testemunha e era abrigo.
minhas ruínas de agora, ombros em qualquer direção. peço proteção. me demoro debaixo do guarda-chuva. não atravesso pra nenhum lado. acendo a vela, acendo todos os fogos da minha alma em criptas. respiro como por um fole. veias nas minhas mãos como num doente.
quero visitar os lugares pra ver se te encontro. vou estar num leito e ainda vou ter essas imagens, vou querer ainda te buscar, romper as janelas, as cortinas, voar na intensidade do meu querer. num leito, vou estar de veias e mãos graves... e você? viria me buscar?
0 comentários:
Postar um comentário