quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

gotta be honest II

I'm in love with Edward and I'm in love with Bella too.
For all my readers (whoever you might be).
I should apologize for my last post. In fact it was real to me – not wanting to keep this for a while. But the thing is: Christmas is close and it makes me feel like saying some words here. Besides, a new year is coming so it’s time to think about something special.

So I believe 2010 will be a very special year. I can feel it and I hope you guys do the same. I know things haven’t been easy but I smell something in the air, this bright light comes to my nose and makes me feel confident… I invite you all… are you in?

sábado, 12 de dezembro de 2009

fechado para balanço
preferia mil vezes ter pulado no prepicípio...
4. love forever
3. waste
2. damage
1. love

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Selva Selva

Poderia imaginar que a imagem de fora da janela é de uma Porto Alegre com os bares cheios da Redenção aproveitando o bafo quente do verão. Mas, não. A decadência aqui é outra. Não é boêmia.
Existe um perigo aqui, um medo, um aviso de que a Selva pode te engolir. Uma novidade densa pro meu olhar de cima do avião. Não há qualquer espaço, qualquer clareira. Tudo exige desbravar. E era pra desbravar?
Parece que o olho de espreita é grosso, como que dizendo, cuidado, que um dia eu vou revidar. E os homens ficam se exercitando numa bravura que só se coloca num machismo de um animal que deve cuidar de suas fêmeas na jaula.
É verdade que há um coreto numa praça, um azul-céu nos muros de um prédio antigo, barulho de crianças dentro de um colégio. Mas não sei se vale a pena. Aliás, não vale. Essa mania de se ocuparem todos os lugares, pode ser às margens do rio Hudson ou Solimões. Pra quê? Uma água insistente em descendência que se escorre pra toda parte, toda fresta por mais que inóspita, minúscula. E a desculpa é a adaptação.
Certo é o koala, que só faz comer as folhinhas de bambu do seu restrito habitat, o que lhe custa somente um tártaro nos dentes e uma pequena inflamação nas gengivas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje você me manda essa foto de Paris, mas não sabe como me custou andar essas ruas com o mesmo tênis.
Tudo se sujava de branco. Nada era vermelho ou verde o suficiente. Carvalhos e pisos molhados e corvos gigantes pelo caminho.
Acordar cedo sozinha sem palavra, como eu faço aqui hoje e ninguém entende. Não sabe o quanto me dói sentir o mesmo cheiro no corredor. O ranger de tábuas sob os pés. Tudo parece uma lamúria só, mas tudo é um fio, uma corda fina que se estende até o finalzinho do poço de onde não se escuta nem um cair de pedra.
Se alguém me visse em 2002, eu perguntaria, sou a mesma pessoa? A menina que não quis chorar na rodoviária... e que, em 05 de outubro, testemunhou sozinha pessoas que comemoravam não-sei-o-quê em Hamburg de madrugada, gritando “I’ve had the time of my life...”
Ninguém nunca vai saber. E por mais que hoje exista aqui um blog, nada vai ser suficiente pra descrever meus banhos agachados na banheira, em silêncio pra não acordar ninguém. Ninguém vai saber se era fome o que eu sentia, se eu pegava os caminhos errados de propósito, quem era Jörgen, Erendira, qual a largura da Leopold Strasse no verão, gosto de baunilha escondido, ninguém vai saber o que pensei/senti sozinha naquele quarto, tentando ler a aventura pelo inverno do Canadá, meus momentos de ir pra cama cedo, de sentir vergonha, de não saber como se dizia vermelho.
Quando peço toda essa presença é pra tentar respeitar o que me prometi: nunca mais vou ficar sozinha... E tudo fica ao contrário. Quem mais quer menos tem.
“can you take it all away?”
chove como em POA. com uma janela diferente. e o cenário também. chove cinza e inteiro, como num dezembro em Tupaciguara. chove frio pra se atravessar a rua da Ostbahnhof em Munique. chove nas férias de 1987 de pés frios. mas não chove como na antologia de Fernando Pessoa, graças a deus. mas uma de querer se aquecer, como que cheia de barro pra achar sabonete e toalha puída limpinha na casa da tia, ou, chocolate quente na volta da aula.
chove pra nenhuma flanela me esquentar o peito frio de vicky vaporub.
chove por detrás dos meus óculos. lá embaixo, na rua. no sótão.
chove na pedra escorregadia. na roça. em cima do lombo do cavalo. na minha blusinha abotoada. nas minhas mãos paralisadas sobre o guidão da bicicleta.
e chove de olhar pra fora da janela, de procurar uma memória confortável pra me alojar. chove pra se querer estar junto. cabelos na minha cara. cabelos que mostram onde estou deitada. meia nos pés. uma colcha de matelassê quentinha, uma mão segurando a minha na hora do filme.
chove dentro da piscina. no banheiro verde.
chove emprestado, do outro lado do muro na casa da Cecília. chove pro violão tocar. no lodo da cerâmica.
chove aí em você, como chove aqui em mim? se fosse junto... poderíamos nos esconder debaixo da marquise da loja de salgados em 1995, ou dentro da carroça do meu avô, ou, se viesse aquele raio de sol no terceiro bimestre de 1996 ou na garagem do prédio do Passo d'Areia, podíamos nos molhar de roupa e tudo ou de maiô, podíamos, sem medo de água, porque saberíamos que, dentro da piscina, fica tudo quentinho e que, lá de fora, estão nos esperando o banho no banheiro verde, o chocolate, a colcha de matelassê, a flanela...
blessing...
ontem, fui assistir ao Julie e Julia (ou vice e versa). pensei que fosse um filme sobre chefs de cozinha, essas coisas. não é de todo mal, não, é legalzinho, mas, no fim das contas, é sobre uma menina que escreve um blog, que depois virou livro e que depois virou o filme (o mesmo que eu assisti). aí, eu penso, primeiro, é o tipo de coisa que só existe nos EUA... já viu isso acontecer por aqui? segundo, será que o meu blog vai virar qualquer coisa? acho difícil...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"I'll never let you see
the way my broken heart is verging me
I've got my cry and I know how to hide
all my sorrow and pain
I'll do my crying in the rain..."
"se fosse só sentir saudade
mas tem sempre algo mais
seja como for
é uma dor que dói no peito
pode rir agora..."

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

para rafaella, sem permisso - comentário ao comentário

entre uma coisa e outra, de um lado, de um segundo, meu estômago gela, no outro, meio segundo do outro, quero chorar de felicidade, como que apaixonada por tudo, como quem ouve uma música no carro e chora por um 1994 que ficou pra trás, hoje, esse fim de astro saindo do fim de outro astro, hoje, tudo balança mais do que pranchinha de isopor na banheira... te encontrar resolveria? te abraçar sentindo seus cheiros, que pode ser de um cabelo que foi lavado anteontem? fosse ser e saber que não estou só nisso tudo? que poderia chegar no carro e achar um bilhetinho seu pra ser lido em casa? fosse brindar de taça a cerveja dentro e o próprio fato de estarmos bebendo? queria te ver, ver só pra saber o que eu já sei, seus dedos, seus cotovelos secos, sua risada que fecha ainda mais seus olhos? ainda hoje estou comemorando-doendo esse seu aniversário... (voilá mon coeur...)
Pronto. Aconteceu de novo. E nem é “sentimentos num caçador de andróides”, mas esse vidro grosso que congela e convida. Essa coisa que me envolve numas tardes e que me faz imaginar guarda-chuvas dançantes por entre esses processos (ou autos, melhor dizendo). Mas aí, meu confinamento de doer e gelar o estômago e querer saber menos e se entregar mais, começar a falar as palavras da boca pra fora. Fica essa coisa de querer dizer, mesmo que por escrito... Fica essa coisa, esse ranço de chocolate que vai azedando na boca, se você não favorecer o que seja repetir os doces translúcidos, que seja, vai ficando só o amargo...
Me vem de dentro. E ensaiar em casa um abraço não resolve. Não resolve pedir de noite. Chega aqui, abrem-se as cortinas e o ato se repete, mas nunca chega aquela melhor parte, aquela em que a gente espera o beijo, apertando a mão no braço da cadeira. Cada dia, tudo se repete, porque faltou alguma coisa, porque a entonação não está correta e aí, nunca estou pronta. Nunca me acham pronta o suficiente.
E vou só treinando, repetindo, decorando minhas falas no carro. Mas nunca chega a parte em que entro. Nunca viro protagonista, como me prometem. Fingem que eu tenho só 17 anos. Lições e lições e medo e vingança por alguns segundos e minha face se ruboriza.
Todas as pessoas da minha vida, queiram que eu esteja pronta...

sábado, 28 de novembro de 2009

hoje, raios de sol por entre as nuvens, entardecer ao meu redor, sem camisa, sentindo o ar, sentindo o vento, tudo era bom. crianças jogando capoeira, árvores, pau-ferro, vida de cidade.
pensei em ouvir música, mas deixei os ouvidos nus pra todos aqueles sons, fossem de pássaro, de criança, de vento nas árvores.
sensação gostosa... setting myself free...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

para Luana

"I should have known better
to lie to one as beautiful as you
and I should have known better
to take a chance on ever
loosing you
but I thought you´d understand
can you forgive me?"

para Raoni

"if I ask you ´is it all right´
if I ask you to hold me tight
in a cold dark night
maybe it would be just fine
(...)
cause I can´t wait to see you again
ooh, baby I love your love..."

para Branca

"how I wish
how I wish you were here
we´re just two lost souls
swimming in a fish bowl
year after year
running over the same old ground
have we found
the same old fear
wish you were here..."

para Lucas

"if I had the choice
I´d never let you go
do you know
do you really want to know?"

para Bento

"I didn´t mean to hurt you
I´m sorry that
I made you
I didn´t mean to hurt you
I´m just a jealous guy.."

para Kássia

"saio da cama, entro em coma
mais pra zona que pra zen
até parece que foi ontem
saudade do futuro eu juro
longe daqui
aqui mesmo meu bem..."

Para tia Sônia

"I don´t wanna
talk about it
how you broke my heart
if I stayed just a little bit longer
if I stayed would you listen
to my
heart..."

domingo, 22 de novembro de 2009

Chrissie Hynde ainda desliza sua voz de mulher, tornando fumaça minha imitação com pouca luz. Tanta coisa pra se querer ser. Sei bem quem eu admiro... E ela... com 20, 30, 40... It doesn't matter... she's splended...
talvez fosse o caso de dizer, postar aqui alguma coisa mais felizinha, como que pra fazer crer que não tenho só momentos que podem ser interpretados como downs ou tristes. mas tudo isso, na verdade, se justifica no escrever. existe um alcance que só me chega em imagens secas ou molhadas de pedras portuguesas, mundos, esquinas que invento e que junto com o que conheço (conheço?). isso é o tal do processo. é assim mesmo, e, na verdade, nem é assim, porque é muito mais, mas que não se pode explicar, tipo, explicar a piada.
pobre do fernando pessoa se fosse só escrever sobre suas felicidades. almodóvar junta tudo numa coisa só. e a gente vai cavando um estilo (pretensioso isso aqui.. hehe).
além do mais, quando se está feliz, é muita ocupação pra gastar com cervejas, música alta, abraços, e não, teclas de um teclado, não é mesmo?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O menino que corre de motocicleta pelas ruas. Sem carteira. É adolescente. É o suficiente pra saber que busca coisas. Os cabelos moldados ao vento. Poderia ser em qualquer época, em qualquer rua. Em Quebec ou no Jardim América. E eu suo as mãos em vê-lo saber disso. Rasgo a garganta ao vento como ele. Amo Peter Pan, amo intransigente e intransitivamente. Faço do ar um soco.
Andrógeno. Perfeito. Pálido como David Bowie. Seus dentes querem me cravar o pescoço. E eu quero e deixo no meu sonho que não tem sexo. Como num corredor escuro de Caio Fernando Abreu. Asas e braços.
O solo enche toda a sala alcoólica.
Pigeon.
O dia entardece devagar. É devagar, num dia em que a tarde quer se esticar de espreita. A vontade não é de novela e nem desse último cigarro que teima como uma prolongação insistente de nos manter num frame que é nosso.
E todos os momentos que querem se prolongar no tempo por culpa própria.
Só não sei o que fazer agora com essas estrelas chegando sem olhar pro céu...
Olhar praqueles olhos inocentes posando pra foto era uma desculpa pra chorar, porque sabia que iria. Perguntei pra eles: você já está no céu?
Não há nada limpo nesta casa, nem minha intenção. Lençóis com o propósito de me jogar um asco na cara. E aí, começa de novo o boicote.
O teto que já visitei tantas vezes. Essa chave rodando na fechadura. A passagem pra um momento que se sedimenta: eu e eu aqui neste lugar.
Ruim é imaginar o quentinho das outras pessoas, que chegam em casa confortáveis. Inevitável essa sensação que mistura uma inveja (que também dá nojo) com não-sei-o-quê. Ainda mais nesses dias de chuva.
Fosse quinta-feira, fosse 1996, dia de prova bimestral na escola. Haveria onde e pra quem chegar. Cheiro de feijão cozinhando que imagino. Hora de fazer tarefa.
Queria ser acolhida num matelassê infinito, na própria metalinguagem. Envolvida. “Wraped around your finger...”. Por enquanto (ou pra sempre?), vai esta toalha felpuda mesmo...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

tiny things 5


tiny? hehe

tiny things 4

menino, filme bom que passou ontem, cês viram? até agora não se eram de bruxos, vampiros ou super-heróis. mas o casting era ótimo... quase uma propaganda de under (wonder, kkk) wear da dolce & gabbana...
ai, ai... heheh

tiny things 3

descobri que ainda amo o humberto gessinger. sim, de cabelos em cima do piano. tudo que a gente queria...

tiny things 2

me dei o direito de comprar (e comer) sucrilhos. do tigrão, muito caro. vai o da promoção mesmo. já comi duas cumbucas tentando achar aquele sabor. o da promoção não tem o mesmo gosto, ou eu é que não tenho?

tiny things

na espera do giraffas. fast food que não é fast, nem food. me irrita, como quase tudo naquela hora, um menino com cabelo que ninguém mais usa desde os anos setenta, tipo o ricardo da farinha láctea - o irmão gordinho do lado (também me irritando...). de repente o moleque de, no máximo uns sete anos, começa a fazer o moonwalking... e muito bem...
desculpei o moleque, ok, ok... keep going kid!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

completar

Rachel
Frank
Molly
Sam
Edward
Vivian
Johnny
Baby
De repente o dia se coloriu de uma maneira que pensei fosse impossível. O casal de meia idade se beijava de língua na hora do almoço. Delicadezas all around. E Brasília rompeu mais uma vez, rasgando céus, mostrando a que veio.
Preciso entender que Brasília quer ser minha de uma vez.
E eu já sou sua há muito tempo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Everyone is capable to love...
Um dia de ventinho de chuva querendo me arrepiar os mamilos, um pouco não suficiente para colocar camisa. De manhã, cachoeira tinha sido. Água muito mais fria. Agora, a pouca roupa e a ocasião e o sonho e a imagem me convidavam pra ficar debaixo da chuva. De terra, barro nas pernas.
Imaginei violão. Música do Incubus. Pulei, fiquei pulando. A cerveja enchia de água.
Era bonito. Plantas ao verde. Samambaias se balançavam. Cheiro. Cinza. Você me abraçava, era quentinho. Ou era minha imaginação? Você, por detrás das montanhas, naquele momento em que chove nos carnavais?
“open arms...”

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

o que vai virar deste blog aqui?
o que vai virar deste blog aqui?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Benicio roubou a piranha de cabelo da Alicia...
cansaaaada...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

there's nothing like
you and I, baby
this is no ordinary love
no ordinary love
keep trying for you
keep crying for you
keep flying for you
and I'm falling
I won't pretend
I'm good at forgiving
but I can't hate you
although I have tried
I still really, really love you
Love is stronger than pride
is it a crime?
is it a crime?
that I still love you
and I want you to want me to
If you were mine
If you were mine
I would't want to go
to heaven...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Eu queria jogar tudo pra fora como num vômito. Em um segundo, tudo out. Mas sou justa demais pra fazê-lo. E nem é justa a palavra, talvez.
Não tomar banho. Suar até secar, como tem acontecido, sem eu perceber.
Hit the road and drive and get there in a minute. Mas não tive coragem. Pensei quando não se poderia pensar. I freaked out.
Não queria ter que usar de palavras minhas pra dizer nada. Minhas mãos podem dizer algo, meus braços, como já fiz tantas vezes, mas... mas o ar tá vazio demais. E eu sempre me convenço de sabores artificiais de morango. Minhas faces ruborizam – eu sei que ruborizam – e tudo se transforma numa água tão abundante e límpida e de uma temperatura que deve fantasiar as propagandas de chocolate prestígio e tudo transborda depois de transbordar e transbordar em incessante transbordamento. E é tão dificil de evitar – e aqui está minha defesa... é tão dificil, que consigo rir, rir sozinha depois de suar as mãos de tanto desconforto. Não há equilibrios para a libriana...
Take me by the hand and save me.

caché




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não quero me perder. Não agora, sem desculpa de inferno astral. Eu não vou aguentar de novo um furacão desses, que chega à minha casa e toma o pouco do ar que há aqui dentro, um pouco dos sonhos que sonho sozinha em cima dessa cama, com um fim macio que busco nesses travesseiros. Eu estou passando pela pinguela cheia de lodo, olho pra baixo, olho pro lado e procuro mãos em que me apoiar. Coisas pesadas, coisas complexas e diferentes acontecem, acontecem de um jeito que a gente imagina sem imaginar, num momento de prenúncio, coisas que são turvas de se olhar e que podem ser confundidas com medo. De repente, é frio, mas, de repente, não há medo, só uma confusão, só um fim de semana em que se pode chorar como num final de filme. E aí, a esperança, a vontade a procurar a calma. Depois disso tudo, depois do cheiro de cardamomo no ar e frescor que vem por debaixo dos toldos, passam-se dias, passam-se idéias e descompassos que vão tomando a cena, os preenchimentos como uma piscina que enche muito devagar. Em algum momento, você pode conter, você acha que pode conter, mas a velocidade das coisas – ou a não velocidade das coisas – acontece enquanto você cumpre suas oito horas de trabalho, enquanto finge que não sabe o que está fazendo diante dessa televisão. E aí, meu amor escoa como um sangue que não queremos conter, só pra ver onde vai dar. Imagino frutas a oferecer, posso querer colorir a casa, mas vai dando medo de não ter pra quem. Uma hora estou te oferecendo cigarros, sei o que dizer, visito o guarda-roupa, tudo tão verde-água, como a capa de disco em 1994, tudo parece claro e, de repente, sou eu não querendo ter momentos pra fingir que não há o silêncio.
Não posso. Não pode ser só isso.
Não sei quem é. Às vezes não sei quem você é. Às vezes parece que é só uma massa fina, muito fina, que, tirando todo o glacê de cima, a massa já derreteu na sua língua e você nem viu...
E não posso dizer de verdade tudo o que estou sentindo...
Eram caixas, cubos. Brancos. Ninguém sabia que eram. Formavam um painel que, de repente, se desmontou e, de lá de dentro, saíram dois bailarinos e começaram uma coreografia meio robótica, com pouco gingado dentro do colant.
No começo, a caixa de papelão na cabeça do Chris prenunciava algo. Caixas também, depois, numa música lenta, quase de embalar, na cabeça das duas bailarinas, de vestido vermelho que, de tempo em tempo, rodopiando em volta do vocalista, interagiam com ele lhe dando a mão. Só ao final, descobriríamos que as duas eram loiras, com cabelo bem curtinho, à la Cinthia Rhodes, em Flashdance. Também tinha um bailarino e uma bailarina, esses, negros que, na música Jealousy, brigavam e dançavam e jogavam as caixas um no outro – ódio, raiva, amor, dificuldade: vermelho.Os bichas se abraçavam e gritavam e sabiam cantar tudo quase - um beijo enternecido, num momento, eu de testemunha – e o pessoal mais velho, certamente já na casa dos 40, se sentiu mais in, nada de fora, nem estranho, ali, naquele lugar, o tempo era o mesmo. Ao final, lá permaneceram, porque também tocaram, já pelo DJ, Depeche Mode, New Order e tudo aquilo era mesmo uma festa, para os mais velhos, para os bichas, para os doidos (um jurando que era Michael Jackson...) e para mais quem.
Being boring foi a penúltima música, gosto de que já estava acabando. E a música, uma alegoria à lembrança, à vontade de eternizar tudo de lindo, de amizade, de festas sinceras já era mesmo uma metalinguagem daquele momento. As costas e as pernas de recém-29 anos já ressentiam a vontade e a atitude de pular, pular muito e alto pra sentir tudo aquilo. E uma querência tão grande de fazer tudo ecoar por todas as quadras e árvores de Brasília.
Nunca se entediar. Que nada nunca fique chato. E assim será, enquanto ainda existirem amigos e Pet Shop Boys.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

but I thought inspite of dreams
you'd be sitting somewhere here with me...
Being boring – Pet Shop Boys

I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: "We were never feeling bored"
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought make amends
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought make amends
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me
'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought make amends
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored

such a great party!







segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sempre nublado, sempre um ar grosso que me desce sobre os ombros me empurrando pra ficar nessa de balanço e pensamentos. Quando for quatro e meia, pode abrir o sol, e, mesmo que pouco, é feliz.
29, como naquela música da Legião. Tão anos 90... E agora vai chegando a minha vez.
Em 82, lembro de mim em pé em cima de uma cadeira, soprando vela. Em 83, veio o Ricardinho. Em 85, era o compacto três em um, Maíra, Raoni e Itamar na mesma festa. Em 86, um bolo de flor da tia Cândida e um conjuntinho de linha que minha avó deu. Em 87, não faltei à aula. Em 88, foto com hibisco e depois viagem de excursão pra São Paulo. Em 89, Bento e Kássia no Rio de Janeiro. Em 90, tênis Panda preto de cano alto. Em 91, almoço no Livorno. Em 92, a bicicleta Caloi Cruiser. Em 93, sem Bento e Kássia, só na foto. Em 94, sapato mocassim. Em 95, Jean Paul Gaultier, Palila e Tia Regina de surpresa nos quinze aninhos... Em 96, festa com banda tocando Green Day. Em 97, Luana, Paulada e Bush na cabeça. Em 98, primeiro gole de cerveja oficial. Em 99... vixi... Em 2001, festa surpresa de mentirinha. Em 2002, cerveja em Hamburgo. Em 2004, minha festa Flashdance...
29, que ainda não é trinta e ainda tenho 48 kg. Ainda tenho o Ricardinho do lado e vontade de ganhar café na cama. Ainda quero suavidades de beijos na testa e Dadá pendurada na parede, sem febre nem delírio. Ainda quero faltar à aula e ser amada como filha, criança, neta, menina que gosta de cama e de que leiam pra ela. Tenho 29, mas tenho 24, tenho 6, nadando na piscina, tenho 3, no escuro, tenho 9, ganhando o primeiro sutiã. Sou essas e sou uma, me olhando no espelho de manhã. Não quero perder nenhuma, quero ser todas e tudo o mais que vem pela frente...

domingo, 27 de setembro de 2009

Gosto de jiló cru – pouca gente conhece – e uma memória quase inventada da casa velha da ponte. Os sapatinhos dela, beirando a cama, poderiam ser os de Mário Quintana. A gente confunde. Ou será que é o mesmo sapato?
Na beira da lareira, tomando chá de folhas-relíquias (desidratadas) vindas do cerrado, era o momento de misturar sensações e lugares. Misturar Les Bouchoux com os cheiros de doce em compota e o barulho das cabras – para queijos sec, demi sec – com ladeira de pedras empilhadas. E viajava. Sonhava. E sonhar é o que se pode fazer em qualquer lugar.
Que vontade de ser Cora. Velha Cora. Só hoje e só ela. Só hoje e só em 1981.
he was really rehearsing. he was! he meant that!
his face might have changed a lot, but not his body...
he was fifty, for christ sake!
to aqui nesse sentimento de véspera (já?). tudo parece besuntado de um óleo quente usado para dourar. o vento, ontem, no carro, era praticamente aventura. todas as cores de uma tarde que se deixava ser vista, como se olhar pela janela da sacada não tivesse sido ver a tarde.

tudo isso, alguém poderia dizer, com olhos óbvios, é o inferno astral. o vírus do inferno astral - poderia parecer mais poético, mas era bactéria mesmo, streptococos (não muito poético, né?), tudo indica.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Salve-se quem puder.

A manhã é clara, límpida, verde, seca de férias de manhã. Um seco limpo. A tarde começa a criar aquelas dissipações que dão sensação de água sobre o asfalto, como naquelas vertigens do deserto. Tudo começa a se confundir. As tardes são tardes. Mas essas aqui, essas aqui vêm querendo passar seu rolo compressor em cima daquelas manhãs. E, aí, não me contenta mais ser diligente, correr com prazos, porque essa molência traiçoeira de Goiás me faz voltar em pontos e suar os pés e me cria uma rebeldia de filho desgarrado. Não há nada do lado de fora, senão, o barulho dos dedos colocando (de novo) essas palavras aqui.
Cantarolo. Finjo que cantarolo, mas já não é âncora. Fica só o desejo, a vontade e a preguiça (que mereceria outro nome aqui).
Outside.
Era inverno em Porto Alegre. Vento no terraço do antigo hotel, na casa de Cultura Mário Quintana.
A vista era magnífica e o Guaíba, de cinza dentro, deixava-se refletir dos róseos que incidem no exato pedaço de rio na hora e lugar daquele pôr-do-sol.
Alguém tocava clarinete. Eu me debruçava no pára-peito e o frio adormecia o rosto e tudo mais numa mistura de preguiça, êxtase pela fotografia e vontade de tomar uma sopa e me vestir de um cobertor quentinho. Mas não queria que acabasse.
As pessoas corriam. Transporte público. Carros. Ontem geou.
Alguma coisa meio Bresson insistindo.

E fico pensando o que estou fazendo aqui nessas janelas. Nesses cubos que são apenas cubos. Se até os pombos vivem lá de fora. O que eu faço?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Bien des années plus tard, face au peloton d’exécution, le colonel Aureliano Bundia devait se rappeler ce lointain après-midi au cours duquel son pére l’emmena faire connaissance avec la glace. Macondo était alors un village d’une vingtaine de maisons en glaise et en roseaux, construites au bord d’une rivière don’t les eaux diaphanes roulaient sur un lit de pierres polies, blanches, énormes comme des oefs préhistoriques.
Você colhia lavanda. Era lavanda que você colhia. Nunca tínhamos visto lavanda antes, mas lembramos da palavra em inglês: lavender.
Era um campo, uma grama pra se deitar. Tudo me lembrava quadros impressionistas. E queria tanto que você me dedicasse um dos seus... Mesmo esse ar bucólico podia parecer com a gente. Se ontem era Londres e pouca luz, neblina dentro dos pubs, boa fumaça pra sorver sem grilos, hoje, isso aqui quase doendo de tanta cor. E tudo é bom. “Com você, tudo é bom”. Estar em Tupaciguara ou atravessar uma rua em Berlin. Tudo pode ser nosso na medida em que as coisas que estão em si e em nós nos cabem.
Eu tentei desenhar. Sei que fotografei. Pontos brancos e falta de fôlego no meio a um roxo-lilás. E lembrava sabão em pó, mas era tão bom. Ainda bem que trouxe uma garrafa de vinho escondida e encaixou bem.
De longe, um cachorro meio amarelo. Pensei, não existem cachorros por aqui. Chamamos, gritamos, mas ele parecia um lagarto, de tão arisco, nem olhou pro nosso rumo. Parecia uma pessoa, um europeu apressado indo trabalhar.
Rimos, deitamos, bebemos. Lembramos de umas músicas e cantamos alto. Ninguém ia entender se escutasse. Ninguém ia entender nada, como ninguém entendeu e nunca vai entender. Mas enquanto existir nós, enquanto existir a vontade e a falta de medo, tudo vai ser mais do que suficiente.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Era dia do casamento do meu tio. Capricho no condicionador. Lavanda da Mônica no pescoço. Tinha um nervosismo em mim. Sabe quando a gente fica nervosa por outra pessoa? A mão suando com o anelzinho no dedo do meio.
Mas aí, a sensação de começo de festa, com todos chegando, de roupa melhor que tinha. Tios, tios-avós, primos, vizinhos daquela rua. INXS tocando. Saias rodadas. As primas querendo ser pré-adolescentes.
Aquilo tudo era um momento de felicidade que parecia compensar uma falta de entendimento de que, ali, uma coisa estava mudando, e, pra sempre. A gente não entendia por que as pessoas choravam nos casamentos, mas a gente tinha um coraçãozinho batendo diferente por debaixo do conjuntinho vermelho. Um nó na garganta que naquela época não tinha nome. Tudo era misturado com o tédio de esperar o sermão acabar e de chegar a hora da festa e não sabíamos o que sentíamos.
Agora, as lembranças se misturam às imagens da câmera de vídeo. Parece que aquele foi o último dia de festa. Depois, doce de pêssego em calda nunca mais foi recompensa. Qualquer tarde de suar o pé passou a ser diferente. E nesses nós, repousa uma ignorância de não enxergar o que há pela frente. E eu não sei a dor que ia custar saber.
Quero cantar. Cantar e pular e recitar e decorar poemas e músicas que ninguém lembra. Quero ficar descalça. Quero abrir a porta. Quero ventilar em mim. Quero soprar. Quero brincar de sombra, de ligar e desligar o botão da televisão. Quero sentir cheiro de doce de queijo. Quero me esfolar no forro do sofá. Incomodar o irmão com o pé. Vir correndo e pular na piscina. Deitar com pouca roupa debaixo da colcha de matelassê. Tomar iogurte escondida. Quero passar Neutrox. Quero chamar o vizinho pelo muro. Quero pular num ombro. Quero ver verde e correr na colina. Quero comer pudim. Quero ir ao cinema. Quero estar de férias. Quero recortar papéis e colar e colorir e sentir cheiro de tinta guache dissolvida. Quero ver o céu. Quero ficar na chuva. Quero beber água no mato, na fonte. Quero ver as frutas. Quero tocar os veludos. Quero um colo, um cheiro, mãos pela madrugada e restos de gelatina pra comer direto na vasilha. Quero ralar o dedo, raspar a terra. Quero correr. Correr, correr, na velocidade do meu coração, da minha vontade. Correr, correr, correr. Quero suar minha mão em outra. Quero caminhar as ruas. Quero tomar sorvete. Quero beber cerveja. Quero ver o dia. Quero suco de uva. Quero roupa nova com cheiro de silk. Quero bola. Quero mãe e pai e peixes silenciosos. Quero jaca. Quero fogo e barulho. Quero sereno na barraca. Quero córrego. Quero palavras. Quero resposta. Quero ver a rua. Quero ver a vida. Quero subir na árvore. Cachorro quente. Quero gente, quero eu de antes e depois tudo misturado. Quero a mim e a todos. Quero os caninos de volta à casa. Quero minha família. Quero minha infância. Quero meus amigos. Quero guarda-roupas, talcos, cheiros, roupas. Quero. Bruta flor.

r.e.d

A gente achava que tava em Paris, se entupindo de cigarros sem filtro durante as intermináveis madrugadas que tinham só um assunto: o maio de 68. Não. O clima era tropical. Havia cigarro, mas, também, muita cerveja gelada que a gente ia bebendo, bebendo e discutindo e tinha que ir ao banheiro mijar naquelas pocilgas quase confortáveis. Aquilo ia adentrando até que o garçom varria nosso pé e decidíamos ir a outro boteco e a outro. Era tanto a se discutir. Uns otimistas carregavam umas frases debaixo dos braços: “to sentindo que agora a coisa vai mudar!” Os outros, que podiam ser do time daqueles que dão vexame, gritavam, quase cuspindo e chamando a atenção das crianças que ainda estivessem acordadas: “ta tudo uma merrrrrda!”.
E ali, uma idéia de uma nova charge, de um novo cartaz pra ser colado com grude subversivo nas madrugadas, de uma nova camiseta. Tudo se transformava em imagem e idéia se transformava em idéia.
Hoje, vendo essa foto aqui em preto e branco, camisa pólo apertada, grandes óculos dando charme e época pros adornos daquela imagem, penso como era bom. Como era cru e suficiente. Panfletos e gritaria e o lazer era no bar pra discutir depois da passeata, depois da assembléia, do comício. As crianças se aninhavam e pregavam adesivos pra todo lugar e em si mesmas, reclamavam e choravam de vontade de ir embora. Hoje, cresceram. Não sei o que estão discutindo no bar. Alguma coisa deve ter ficado. Alguma coisa sobrou.
Hoje, não sei. Hoje, só essa minha nostalgia de olhar a fotografia. Preto e branco. Óculos. Figurante. E tudo ficava bem na fotografia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ESTAMOS COMEMORANDO (ESTAMOS? EU MAIS QUEM?) 300 POSTAGENS NESTE TAL BLOG.
(COM ESTA, 301)

domingo, 30 de agosto de 2009

o amor não passa

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quando você vem aqui nessa janela
quando você vem aqui...

uma coisa é verdade: é muito bonito tudo isso que eu passo

a tarde está magnífica
é frio
e parece que estou em outro lugar do mundo
escurece tão rápido - como fumaça

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Criança - Marina Lima

Vou
Vou levar
O tempo que for
Vou
Vou levar
Até desvendar caminhos e ver
Como eu chego em você
Vou
Vou levar
Até descobrir
Onde está
O mapa da mina
Eu sei (eu sei)
Criança, eu sei
Mas se você disser
Que quer
Eu tô quase lá...
Vou
Vou levar
O tempo que for
Vou
Vou levar
Até decifrar segredos e ser
O que eu desejo prá você
Vou
Vou levar
Até conseguir
Alcançar
A sua inocência
Eu sei (eu sei)
Criança, eu sei
Mas se você disser
Que quer
Eu vou adorar

domingo, 23 de agosto de 2009

Ela me mandou um postal dizendo assim: você já pode vir.
Meses que não conversávamos. A última imagem veio em cores de cabelo, cabeça virando pra trás, um leve sorriso sem graça e o resto foi um gosto de saliva ruim, espessa que trazia pra dentro da boca umas lágrimas embaçadas.
Minha idéia era ir pelo menos até Portugal, me despedir, depois voltar. Nem isso aconteceu.
Fui embora naquele dia nem sei como. Difícil chegar num lugar que nem era minha casa. No sabonete, memórias recentes de bolhas. Piso ainda molhado um pouco. Olhei todas as paredes e a pouca coisa que havia pra olhar.
Junto do postal havia uma foto. Era ela no trem. Não sei quem poderia ter tirado. Olhei mil vezes a foto e o postal. Decorei uns três figurantes servindo de paisagem atrás.
Não saberia o que esperar e nem o que realmente quis significar. Mas tudo foi suficiente pra subir um calor que conhecia de antes, de quando os cheiros preferidos me faziam arrepiar suave. Já me vi em direção a uma estação de trem. O que eu inventava se misturava na própria imagem dela na fotografia, até as mesmas cores de roupa.
Não soube hesitar, como nunca realmente fiz.
Haveria pouca coisa pra levar. Arrumei. Me arrumei e fui, fechando os olhos no balanço do trem, me fazendo suficiente a calma e a euforia que a antecipação de um abraço trazia para minhas relembranças.
Always yours.
Às vezes, basta uma mão. Uma mão que a gente não consegue descrever de que cor é, porque de sensorial e bastante e macia como um pano e leve, só se sabe o que se toca de ofuscar o que se vê.
Ontem, podia ter morrido. Deus mandou chuva pra me jogar algo na cara, mas eu, cervejas no esôfago e incapacidades, não entendi. Ou entendi e estou agora aqui, fingindo.
Meu olho interrompido de cortinas, e, às vezes, realmente fechava por segundos suficientes pra me arriscar.
Quase uma hora de volante. Qualquer música de fundo no rádio. Avenidas que não acabavam mais. E um sopro insistente, poder de me manter do jeito que quer. Ontem.
Pressiono meu coração contra a cama, contra o lençol, a colcha. Meu coração quase não bate. E insônia de me mostrar um espaço pequeno aqui que não alivia um vazio imenso que ecoa de dentro pra fora e de fora pra dentro.
Ontem.
Espuma dentro. Amargo. Amorgo. Que nem me deixa vomitar. Meu interior com aroma artificial de baunilha.
Ontem. Quinta-feira. Domingo.
E ali dentro está a vontade, que não morre. Quem conhece os mistérios da vontade e do seu vigor? Pois Deus não é mais que uma grande vontade, penetrando todas as coisas pela qualidade de sua aplicação. O homem não se entrega aos anjos, nem se rende inteiramente à morte, senão pela fraqueza de sua débil vontade.

Joseph Glanvill

terça-feira, 18 de agosto de 2009

How dare you?
How can you just look this cool without any mercy on me?
How can you do such things pretending you don’t know what you’re doing? You know I see through your eyes, so how can you just show yourself to me like that?

I was just passing by as I do every day. And you were there, smoking you cigarettes. The way you did that - looking very calm but with shaking hands – caught me for long minutes. The pigeons seemed to blow the whole scene but they brought reality to that urban moment and a contrast to a piece of beauty among grey and scary characters. You were sitting there with your legs. Your t-shirt, the jeans, your dark hair. Your hands willing to tell me something.
One. Two. Three cigarettes. Your beautiful strong shaking hands. The door opened. Someone came. You don’t see me across the street. I say goodbye. No one’s listening. You go side by side with someone. You left those minutes so I could keep you inside me.

this is for real




Há um ano atrás, sei que não era esse o horário, mas, há um ano atrás, dois caminhos viravam um só.
De noite, depois de uma camisa apertada e cansada de branco, o definitivo veio de banho tomado. Me restou, depois de tentativa de sensatez (também não sei porque), chorar no colo, num posto de gasolina que já foi cenário de outros carinhos. Cadeiras amarelas, isso era o que eu lembro.
Noite mal dormida, pra variar. Depois, praia longínqua, cheia de vistas ao longe.
Foi assim.
Um ano já se passou.
Minha vontade é outra. Na verdade, sempre a mesma, mas escondida por debaixo de massas dobradas, secas, tudo que queria esconder, me esconder de um mundo em que, não se estando de camiseta, esfriam-se mesmo as costas. Um mundo em que eu, de peito aberto, me abri mais ainda. E o resto da providência divina (é esse o nome?) não se concretiza.
Mesmo assim, o que me resta ainda é melhor, mil vezes melhor, é escolha, sou eu, euzinha, mesmo que com quatro anos ou mais perdidos, eu, que me retomo de pernas, vontades, cabelos e uma risada alta que nunca se esfarela no corredor. Eu. O resto é resto.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Se não tiver isso, vai ter o que então? O que esperar, se o inesperado bateu na minha porta e fez cu doce? O que querer? Não há nada que eu possa imaginar, não há outra possibilidade, porque não existe de verdade outra coisa de verdade.
Detesto. Detesto.
Me deixassem quieta! Deixassem que eu pensasse uma água turva e rasinha da vida, era melhor assim... Melhor na ignorância eterna de não saber que o que não existe não existe.
Mas, não! Não. Esperaram bem quietinhos que eu dissesse/pensasse qualquer palavra mágica que estivesse no meu subconsciente, num subsolo qualquer. Foi assim que fizeram. E aí, vi no que ia dar. De ladeira que não dá mais pra voltar, uma ladeira que nunca deu, porque não sei qual foi o momento que eu poderia pedir pra descer. Se existiu, foi de alguns segundos, de alguns poucos segundos de frio na barriga. Não sei.
Mas queria dizer que não é só minha culpa. Não é. Parece que me espreitaram a vida inteira, esperando isso. Me conheciam antes de conhecer. Não sobrou, então, nenhum eu.
Repito as comidas. Como as mesmas coisas. Sozinha aqui, com vergonha de olhar no espelho. Com vergonha. Com medo. Visto a mesma roupa, como num desenho animado. E cada dia é um quadro de uma seqüência de mil quadros que, no fim, compõem uma cena que pouco mais do que folha de árvore se mexeu. E a conseqüência é perceber que anos passaram pra mim como não passaram para outras pessoas. Eu espero e espero, mas não tenho tempo. Não tenho muito tempo. Tudo está correndo. E esse é meu deslize: esperar ter 35 anos pra poder ser jovem?
E a barca vazia desce o rio...
no dia em que isso acabar não vai ter mais ninguém aqui pra reparar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Delicadeza.
Museu de Arte da Pampulha.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um filme muito ruim.
Um filme muito bom.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

I'm back (ou nem tanto...). Vacation: over...

terça-feira, 14 de julho de 2009

linger

Sometimes I feel so happy
Sometimes I feel so sad
Sometimes I feel so happy
But mostly you just make me mad
Baby you just make me mad
Linger on, your pale blue eyes
Linger on,your pale blue eyes
Thought of you as my mountain top
Thought of you as my peak
Thought of you as everything
l've had but couldn't keep
I've had but couldn't keep
If I could make the world as pure and strange as what I see
I'd put you in the mirror
I put in front of me
I put in front of me
Skip a life completely, stuff it in a cup
She said money is like us in time
It lies but can't stand up
Down for you is up
It was good what we did yesterday
And l'd do it once again
BmThe fact that you are married
Only proves you're my best friend
But it's truly, truly a sin

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Fiquei ali, no balcão, enchendo a cara com Keep Cooler. Esperei alguém vir. Esperei alguém convidar. Esperei alguém notar. Gôsto de bebida de motel, pensei. Ninguém notou, ninguém parou. Não seria romântico se alguém parasse, se dissesse alguma coisa.
As borbolhas queimando o céu da boca, prendendo gás pra dentro da garganta. Eu, vestida de preto, como minha alma.
Pegaram na minha bunda no banheiro.
Todas as minhas curvas se tremeram de nojo e vontade de me entregar a um abismo sem fim, sem volta, como quem se corta pra se punir ou sentir prazer.
Encheream a mão em direção ao meu sexo.
Tive medo. Lembrei da minha mãe e de um anjo que colocaram em meu caminho pra me assustar e me dizer o óbvio. Maria Paulina, com Gudang Garam de prontidão.
Saí deslizando pelas paredes pintadas de esmalte-escola-estadual. Minhas unhas carregando resíduos. Cheguei à calçada e vomitei. A vontade era de vomitar tudo, pra fora de tudo, olhos, nariz, orelha. Ali mesmo chorei a gosma inteira, tudo que é molhado nessas situações.
No táxi, ainda com medo, encostava de pescoço mole a cabeça no banco, tentava, sem muito esforço, esconder um pouco das pernas com o pouco pedaço de saia. Desço um quarteirão antes pra sentir o frio da rua de novo, misturar o negro de dentro com cor de noite que me engolia. Me encostei na árvore e chorei lágrimas quentes, derretidas, como se saíssem direto do peito. A casca antiga da árvore, benzida de fumaça, poluição e história, me dava um aconchego frágil, uma sensação reflexa de um acalanto que eu fornecia a um ser esquecido.
Se eu subisse agora as escadas branco-encardidas em espiral, sei que seria longo o caminho, não querendo me ver sozinha sem espreita na rua, e nem em casa, onde, nem o quadro pendurado na parede – a que eu tinha paixão – me faria preencher os espaços de pé direito e lençol esticado (pra quem eu ainda fazia a cama?). Quisesse, talvez, colocar aquele disco ao vivo da Nina Simone, um Martini no copo, pra mudar o gosto da boca, um pijama comprido, pra me sentir comum, as janelas do apartamento da frente com o casal de idosos que dançavam tango devagarzinho. Se eu entrasse, se desse boa noite de cabeça baixa ao seu porteiro. Se conseguisse subir as escadas. Se abrisse a porta, pisasse o quinto taco solto. Talvez a gata estivesse em casa. E eu olhando as pedras portuguesas debaixo do salto. Se eu entrasse e subisse as escadas. Se eu subisse. Se eu entrasse. A casca da árvore. A pedra portuguesa.
13:25. Ainda nao almocei. Nem sei se vou almoçar. Reli as postagens antigas do blog e percebi que minha angústia, meu incômodo é o mesmo. Nada mudou. Me senti idiota, impotente. Queria saber se eu magoo desse jeito que me magoam.

sábado, 11 de julho de 2009

gosto do meu blog... tenho orgulho... pena tão pouca gente ler. ou não...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

que contraste. céu de brasília e eu com a cabeça em blade runner...
I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhaüser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in the rain. Time to die.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

essa sensação de agora, isso de agora me trouxe um gosto na boca, familiar, demorou dois segundos pra descobrir - era de pitanga.
não sei se o gosto da pitanga era o que significava essa situação ou se era o remédio pra ela.
pitanga, debaixo da árvore, das árvores, pitanga no lote, na palha de arroz.
acerola? ainda não.

terça-feira, 7 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

tentando suspirar...

terça-feira, 30 de junho de 2009

aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh................................
quero gritar
to sem oculos
to sem folego
a ciranda do amor é sacanagem dos signos
zodiac cheating hardly
tava escrito: aquário combina com libra e libra combina com leão
what the hell!!!
quero descer a ladeira gritando na trepidação
freiando com os pés
escuto músicas antigas
estou num bar no meio do Arizona
me, the boots and the cigarettes
não sei há quanto tempo estou eu aqui com essas memórias
essa cabeça só de lembrar
quantas horas são? quantas horas no meu sabor de resto de sorvete napolitano no papelão?
rosa 1983. vermelho jaqueta de nylon. azul elefantinho bordado. lilás Esqueleto.
tudo medindo meu tempo na medida do que toma o tempo em si, engole.
um dia, me davam banho, pediam pra eu levantar a cabeça pra não ir shampoo no olhinho
e hoje? sou eu quem devo mandar cartões postais? não recebo nenhum? nenhum marcador de livro com a imagem de um filhote num papel fosco? confundir doce de goiaba com goiabada e fazer bolinhas de papel crepon. a cola, a massinha atóxica, giz de cera tudo tinha um cheiro bom. tudo era bom. até novalgina no copinho de alumínio.
enloquecendo aqui. eu, os dedos com unhas que fazem barulho de plástico. meu esôfago acusando algo.
rescue, rescue... no one? nenhum? nunca?

para Ita

Tonight the music seems so loud
I wish that we could lose this crowd
Maybe it's better this way
We'd hurt each other with the things we'd want to say
We could have been so good together
We could have lived this dance forever
But noone's gonna dance with me
Please stay
And I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm
though it's easy to pretend
I know you're not a fool
Actually, qual é esse problema em poder exagerar? Por que não? Por que não arrancar os cabelos, feito Bonnie Tyler? Por que não aumentar o vermelho do batom, sair trombando de ombreiras nos outros pela rua?
Quero exagerar, ou pensar que exagerar é uma coisa comum. Quero, no abraço, cravar unhas, quero um tom alcóolico nas minhas conversas sempre, quero olhar de frente, de tudo, quero aprofundar, quero me afundar, sem desculpas, em cabelos e fitas de video empoeiradas no armário.
Hoje, tive um sonho. Recebia uma encomenda pelo correio, que era redenção, era um pedido de desculpa sem eu pedir. Não sei ao certo o que quis significar, mas me manteve esse nó na garganta. E que me dá vontade de chorar. Sim, porque eu choro. Eu choro.

em tempo

Aliás, eu sou a Bonnie Tyler...

poetry by the river - Before Sunrise

Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I’m a delusion angel
I’m a fantasy parade
I want you to know what I think
Don’t want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we’re going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I’ll carry you
You’ll carry me
That’s how it could be
Don’t you know me?
Don’t you know me by now?
- Sabe o que acontece comigo?
- O que acontece com você? (um pouco sorrindo ela, já esperando um tipo de fala minha)
- Eu vejo através de seus olhos.
Isso foi minutos depois de termos falado sobre a cor dos nossos, os meus, mais escuros.
Ela quis rir olhando pra cima, como se aquilo fosse uma coisa ridícula. Assim como faria nas várias vezes em que não sabia/saberia dizer em respostas a algum comentário, ou pelo fato (e quase sempre) de ter sido um elogio, uma fala de mel e enaltecimento, ou quando era mesmo algo ridículo, como tudo que eu já podia ter falado. Mas não.
Ela se conteve nesse ritmo, nessa seqüência óbvia. Se conteve antes do primeiro passo de fazer a cara que prenunciava a reação.
Me fitava, nem ria, nem estava séria. Era como se acreditasse, achando bonito.
Ela já estava segurando minha mão. Segurava agora mais forte, ou tanto quanto antes, e, só agora, eu percebia. O suor apertado de uma contra a outra.
Lembrei a cara que ela fez várias vezes quando nos reencontramos. Era de olhar profundo, apertando um canto da boca, como num leve ponto de costura, suspirando por dentro quando montava um sorriso e se transparecia pra mim, e se fazia um espelho, já que, parecia que eu, talvez, estivesse com a mesma cara, ou mesma sensação. Eu não soube, não quis mentir. Deixei (deixamos) me levar pelo que era de fora, pelo que sempre comandou, pelo que nos trouxera até aqui.
também estou no inferno astral (inverno astral?)...

sábado, 27 de junho de 2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

+

Coloco minha jaqueta vermelha, no corredor, vejo a sombra. O Raoni se levanta bruscamente da cama box. O Ita arregaça as mangas no antebraço.
Você que não queira, mesmo que não queira, qualquer formigamento que sentir na perna, qualquer cãibra de pescoço, todo movimento involuntário, pode saber, é ele se apresentando, é ele te possuindo.
Demorou, but he´s back to where he belongs. The highest heavens. Deus, que é muito bom em sua grandeza, nos permitiu sua presença por curtos cinqüenta anos. E, justo, cinqüenta, que é um número tão redondo (entrelinhas?).

Meu cansaço de hoje me deixa sem pernas, me faz pendurar a jaqueta no cabide, enfraquecer os dedos na tacada da sinuca. Quero gritar e não posso, quero cair no chão como numa coreografia, quero ajeitar os cabelos como um gangster, but I´m not smooth enough. Quero ver, quero enxergar a linha fraca que se esticava entre suas costelas frágeis e o poder de segurar um furacão dentro de si, que saía pra fora apenas na medida exata pra extasiar com coisas impossíveis – everything glittered.

Hoje, silencie-se, mesmo que I just can´t stop loving you esteja reluzindo em sua cabeça, mesmo que a batida de Billy Jean não sossegue, silencie a voz de The way you make me feel, se essas forem as suas vozes, engula seco essa gosma que nunca mais vai sair, porque o tédio, o inexpressivo, venceu, o Invencible deu seu último tchauzinho por debaixo do guarda-chuva. Reverencie.

Hoje, a luz caiu um tom, mesmo que na clareza azul do céu de Brasília, hoje, nem chapéu esconde minha cara, o último respingo do extraordinário se esvaiu. Vai ser difícil deixar essa manta insistente das vidas cotidianas e ridículas descer definitivamente tirando o róseo frágil que pintava de poesia o negro do urbano, o cinza do concreto, todos os dark ends of the streets, onde pessoas eram pessoas. Hoje, nada se move, nada grita ou canta. Hoje e sempre tudo se cala. A névoa virou gelo seco. O beco é cenário de papelão, contrataram um dublê, pintaram tudo de cal e a chuva lavou. A fantasia que ele inventou era a única verdade possível.

terça-feira, 23 de junho de 2009

beloved

Caninos
Boêmios
Todos, todos venham cá
Se aconcheguem no meio da noite, num manto macio esquecido no sereno
Café voltou molhado
De chuva, de suor, de cuspe dos outros
O mensagueiro mudo e tímido se recolheu no trauma, no tédio, sob os olhares interrogativos
Soprou-se no poço, no fosso, gritou-se e o nada nada respondeu
Nem o eco – e tudo descansou
(grama e criança brincam sem saber, sem saber até que ponto outra configuração está se imprimindo)
São sete horas. É inverno. É escuro. Na casa no meio do mato os sapos barulham sozinhos, insetos, sons da noite fria do cerrado, sem orelhas pra se levantar, sem um novo acomodar na cinza, na palha, sem pêlos pra esquentar. O vazio do cair da goiaba no chão perde os protagonistas dessa toda e conhecida interação entre planta, bicho, gente e casa.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A Luciana teve convulsão. A Angélica usava aparelho. A Laura ficava roxa nas aulas de natação. O Alan era sempre o pai nas brincadeiras de casinha. O Tulio era grande. A Tatiana chupava dedo. O Diego fez cocô na roupa. O Marcelo Tiago era primo da Juliana. A Juliana era minha melhor amiga. O André dançou quadrilha comigo. O Lucas, o que tinha o Lucas? O Lucas era irmão do Dudu, que era lindo e morava do lado da Vera. O Jaime tinha medo da Cuca. O Rodrigo já era meu melhor amigo. A Vanessa soluçava quando chorava. O Marcelo saía da água de olho aberto. O Leandro tinha cara de pastel. A Mariele tinha buço suado (kkkkk, pior que era verdade...).
E eu?
Eu brinco de exibir minha irmã. Ninguém percebe. Eu finjo que não faço. Ela é quase uma desculpa inventada quando peço pra que os outros não façam barulho, porque ela está estudando. Mas, aí, durante um intervalo, ela desce, com short ou moletom, dependendo da estação. Ela faz bauru. Ela oferece. Ninguém aceita. Ficam olhando ela, imaginando o que é ter dezessete anos com a tabela periódica pregada na parede e poder sair, das poucas vezes que ela o faz por esses tempos, de gola rolê, tão esguia (sem saber dizer essa palavra), comprida pra cima e bonita. Fico no sofá e a vejo sair. Fico aqui. A cama do lado, sempre feita, o travesseiro com cheiro de cabelo e perfume, suas roupas penduradas no armário, os livros espalhados, o holofote ligado à noite, suas mãos longas quando gesticulam... Meu olhar miúdo registra o que a moça-mulher estabelece para o meu objeto sem alcance, minha vontade-admiração de ser como ela é, passando o lápis de olho no espelho, segurando uma taça na fotografia. E o tempo sabe o que guarda, traça uma dor de olhar a cama ao lado e não ver nada além de roupas empilhadas. O tempo estica os cabelos. O rastro que ele deixa fica só em mim, a olhar o cair da tarde e imaginar sua mão segurando a minha, e eu, pequena, fingindo de não perceber pelo caminho da calçada.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Eu não posso dizer tudo. Nem tudo se presta a uma entrelinha ou uma metáfora pouco ou bem elaborada.
O que eu pude sentir, viver não pode ser trazido. Por isso que calo. Por ser muito. Por tudo e grande e entre mim e isso não há nada que se possa se entrepor, por mais translúcido.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Não era dor o que eu sentia. Não havia dor. Era uma coisa clara e límpida, como cheiro de inverno, uma calma pelas gramas e luz que descia como um lençol no preparo da cama. O corpo, a cabeça, a testa de uma ressaca que, depois entendi, era menos pelas várias garrafas verdes, do que o frio na barriga que me calou a voz. Mas havia mãos, braços, braços, jeitos, possibilidades de esquentar o pé. Havia quem me segurasse antes mesmo de eu perder o ar, me dando colo e barrigas onde eu buscava profundamente o fôlego. Minutos que viraram um espaço entre uma coisa e outra, uma gavetinha estreita e comprida.
Tudo ficou nítido, até a letra da música no carro. If I could stay...
Não quero ter medo. Não vou ter medo. Vou estar, por tudo o que for...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

L.U.T.O

BANGKOK – O ator norte-americano David Carradine, de 72 anos, foi encontrado morto ontem em um hotel de Bangkok, na Tailândia. Embora o agente do astro, que estava no país asiático para filmar uma nova produção, afirme que Carradine morreu de causas naturais, veículos de imprensa tailandeses especulam que ele teria cometido suicídio.
Getty Images
Estrela da série de TV "Kung Fu", David Carradine trabalhou em mais de 200 filmes
De acordo com a versão online do jornal The Nation, a polícia local encontrou o ator enforcado no closet do quarto em que estava hospedado. Segundo relatos, a equipe do filme foi jantar na noite de terça-feira e estranhou a ausência de Carradine, mas os colegas imaginaram que, por causa da idade, ele teria preferido descansar no hotel.
Famoso pela série de tevê "Kung Fu", sucesso na década de 1970, Carradine participou de mais de 200 longas-metragens, além de uma extensa carreira na televisão e nos palcos dos Estados Unidos. Recentemente, estrelou as duas partes do filme "Kill Bill", de Quentin Tarantino.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O único virginiano que ainda agüento é o Morten Harket. O único libriano que agüento é o Hugh Jackman. O único pisciano que consigo agüentar é Jon Bon Jovi.
Será que isso aqui vira uma enquete?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sometimes you just don´t know.
Se tudo fosse o sentimento de alívio, se tudo fosse a consciência que chega na hora de uma música que toca no rádio, de que o pior já passou, de que a vida é bela e que há o que há por vir. Aí, você olharia de lado, pela janela do passageiro no carro, a neve lá de fora, você quentinha dentro, vendo os rostos de perfil. Se tudo fossem mão dada, ainda que com vento frio no rosto, e o saber a existência da mão, mesmo com o conceito de luvas se interpondo no contato direto.
A gente fugindo..., não sei do que, mas fugindo junto, que era o que importa, com chuva, com buraco, pela praia cinzenta... mas haveria abraços e jaqueta jeans limpa e apertada para nos proteger da cena, ou nos guardar uma sensação bonita como numa capa de disco...
Se alguém tivesse espreitado... Não sei se alguém estava vendo a menina de 21 anos indo embora no aeroporto. Talvez não houvesse quem tivesse registrado de fora o mínimo espaço-cena. E aí, existem eu e a memória, mas, de que adianta? Não sei quem quer saber.
Espero tocar de novo a música no rádio. Espero tocar uma outra parecida. Posso até cantarolar aquela, mas não há o efeito. Nos vi a nós todos como num fim de filme, luz fraca de hemisfério norte querendo ser sorvida de inspiração.
Na biblioteca empoeirada, procurando outras coisas, acho sem querer a música numa fita. A música ainda está lá, também empoeirada, mas os personagens se foram. Não há neve, nem anjos de cipreste, nem os rostos de perfil. E se a música existe sem tocar, será que ela existe?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

eu fico feliz. fico tão feliz. não quero perder o fio da minha felicidade. mas tem um bicho que chama ansiedade - predisposição de se colocar numa situação futura ainda não existente -, que dissolve que nem sonrisal a minha vontade de me ter sorrindo em frente ao espelho.
não existe o presente. não existe só o presente, chinês!
vou voltar lá pra oca, onde se chora quando se tem que chorar e onde se pode quebrar pratos, quando não há muito o que fazer.
me vejo criminosa em uns flashes de memória, numas imagens. e não tenho medo de pena nenhuma (a não ser daquelas outras). EU PAGO O PREÇO. eu pago. só me dizerem quanto.
tenho planejado um naufrágio. pertenço - intransitiva. pertenço. ponto.
e agora eu queria olhar no espelho dos olhos dos meus amigos e perguntar, queria ver, queria ver se sou a mesma, se voltei pendurada na corrente. me digam aí.
me vejo criança. me vejo pronta. me vejo artista. estou pronta. quem está?
O que me eleva é o que me destrói.

Menos consciência, mais ignorância.

terça-feira, 26 de maio de 2009

totalmente anestesiada por caio fernando abreu.
peixes. escorpião. câncer.
o caminho das águas não é só dele. posso garantir.
agora, imersa em névoa, tudo mais molhado do que pele de sapo.
as matas que me convidavam, verdes para filtro de sol e raios, ontem, hoje, parecem engolir, e não metaforicamente. barulho de galho, como escovas de noite, de madrugada. medo do cheiro de mofo - até onde/como permitir a entrada de algo escuso pra dentro de vias aéreas, para todas as vias? segurei minha própria mão de noite, de anelzinho, como se fosse outra, buscando outra que estivesse em temperatura que me esquentasse.
por enquanto, ainda presa aqui, sem querer pensar nisso, como o horóscopo disse hoje.
levei a sério quando ela disse 'to te esperando aqui'. the only thing i could think about is getting home safely.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

felicidade é fundamental.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Não escuto mais Coldplay. Já não escutava muito, mas, agora, acabou, vorbei, over!!!
O plágio do Sartriani (é assim que se escreve?) é descarado. Pude comprovar!!!
Sem vergonhas!!!!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Hoje é aniversário da Torre Eiffel. 120 anos.

Luzes. Ar. Imaginação. Deitar na grama. Poder deitar na grama e nunca estar só.
O vento zune na orelha. O frio corta mesmo no verão. Mas nada machuca de verdade, nada dói. Nem quando, já na onipresença da imagem, os pés e o corpo tentam descansar no quarto antigo do hotel. “A torre...”

quarta-feira, 13 de maio de 2009

eu queria falar uma coisa aqui. talvez, uma coisa meio óbvia. eu quero falar!
eu quero falar que adoro meu nome. "hummmm...". não precisa fazer essa cara, esse grunhido de reprovação. deixa eu falar.
selva. savage. wild. tudo isso eu gosto. sou uma mata inteira. verde escuro por dentro. casca de árvore pra passar a mão. selva está dentro e fora. e me faz colocar as garras, me faz querer mostrar os dentes de vez em quando, e morder, morder quando quero.
minha civilidade me faz querer ser selvagem a todo tempo.

selva, selva, selva! selva!
pode achar ruim se quiser...
eu queria um colo gigante. gigante, não, macio. maciinho. que me acarinhasse os cabelos e me fizesse dormir a noite inteira...

terça-feira, 12 de maio de 2009




Lá Vou Eu - Rita Lee e Luiz Sérgio


Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
A gente não consegue
ficar indiferente debaixo desse céu
No meu apartamento
você não sabe o quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra
Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
No meu apartamento
você não sabe quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver.
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível
como você e eu e o céu.
Num apartamento perdido na cidade
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente
A gente não consegue
ficar indiferente debaixo desse céu.
No meu apartamento
você não sabe o quanto voei
o quanto me aproximei de lá da Terra, não.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível
como você e eu e o céu.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O meu buraco. O meu escuro começa na fresta de sol que vinha de manhã em cima da colcha de matelassê no quarto da minha mãe, bagunçando partículas no ar e esquentando as perninhas no último estágio do acordar. Na outra ponta, está o guarda-roupa bagunçado da minha avó com cheiro de guarda-roupa da minha avó com tesouras, calculadoras, surpresas, caminhos sempre escondidos. E você vai passando pelo meu uniforminho novo do Elefantinho e pela escultura de cerâmica no aparador antigo, tem também as formas no vidro da janela e as estrelas fluorescentes no teto. Meu buraco se aporta no pé de mexerica e no dia em que meu pai virou a mesa de cabeça pra baixo e fez uma piscina com lona amarela. Afunila em fórmica e texturas e cheiros de talco banho a banho e gostos de papel com sorvete napolitano. Dobrando a esquina, assim, ele contorna de tampinhas de guaraná e anelzinho no dedinho do meio e engole, te engole todo dia, sem você deixar, sem você ver, sem você permitir, te invade de noite, na cama, no banho, no silêncio do silêncio, entra por dentro, não há árvore, ramo, câmara de ar pra te salvar.
Você quer se salvar?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

hoje realizei um grande sonho da minha vida. comer papinha da nestle. dessas que vem em potinhos de vidro.
mandioquinha com carne e legumes. huummm..., que delícia, adorei, pra ser sincera (e, sendo mais sincera ainda, devo dizer que coloquei uma pitadinha de sal...).
acho que o conforto que eu senti me transpôs mais do que ilicitudes...
melhor que isso só se tivesse uma mão de trás da colher, me alimentando na boca..., ai, ai...
you don't get it. you just don't get it.
if you did it..., oh, if you did it...
I´m gonna rise up my hands and feel like a goddess above the city. I´m gonna fly through the buildings in black and white. Protecting the view, protecting all ordinary people have inside.
Sunrise.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Você deixou cair a touca no chão. Eu não percebi na hora. Demorou alguns segundos. Corri e peguei. Seus traços me pareceram familiar em meio a tantos olhos puxados. Tanta gente trançando na Grand Central Station. Tinha chovido. O que, ao invés de piorar, deu uma ligeira aliviada no frio. Mesmo assim, minhas bochechas rosadas ficaram mais coradas pela corrida. E te alcancei perto já da porta do trem. “You´ve just dropped this”. “Oh, my God, thank you... thanks”. Uma ligeira escorregada no accent. “Sorry, are you leaving now?”. “No, no… just checking out the trains…”. “Ok, that´s it… hum…, ok, bye…”. “Wait, let me just buy you a cup of coffee, the least I can do…”. “Ok, ok, but I don´t mean to bother you…, sorry, but where are you from, you´re not…”. “Brazili…”. “Sabia!”. “Você também?!”.
We ended up on 5th Avenue drinking a couple of beers – coffee?, just an excuse. Perguntei o que fazia ali: “NYU…”. Hum…, fair enough… A conversa transitou suave como um floco que cai e foi de últimas fofocas das novelas até gosto de rapadura e pipoca doce cor-de-rosa, passando pelas famílias, teorias sociais, humanitarian laws, frio, coincidências, horas, horas adentro, quentinhas dentro do Dinner...
Amanhã eu visitaria o Central Park, alone, como a condição permite. O riso naquela noite me apontava para um outro lado. Admirava seu sorriso por detrás do copo. E me via já por entre as árvores do parque, e você, de vez em quando, reclamando dos cavalos e de suas conseqüências, e lamentando que, no outono, é muito mais bonito. Minha viagem se lançava de um modo, que quase perdi o fio da sua conversa tão gostosa, se escapulindo por entre seus dentes, se empolgando em se reconhecer em mim.
Amanhã, Central Park... “Deal!”.

terça-feira, 5 de maio de 2009

quarta-feira, chorei. muita coisa acontecia. sinead o'connor doía e, pra piorar, uma das coisas mais bonitas que considero ter escrito simplesmente desapareceu, o que me fez eclodir em lágrimas. lágrimas.
escrevia a todas pessoas que eu amo.
será que havia algum sentido metafísico para que aquilo não fosse postado?
não sei..., talvez, romanticamente, exacerbar sentimentos doídos, mesmo que bonitos (sempre são?), não fosse certo...

domingo, 26 de abril de 2009

She pretended not to mean it, but she would say: you’ve saved my life.
Quando perguntada, Beatrix Kiddo revelou que, pela primeira vez, sentiu medo da morte, justamente porque ela não estava mais sozinha. Então, a outra mulher da cena, another killer, a poupou, deixou-a viver e se esconder numa record store.
Got it?

j m barie

Quanto custa ao artista sua obra?
Quanto lhe custa?
Hoje pensei, como penso sempre, construindo esse pensamento em mim, que há sempre uma dor no artista. Sempre uma dor. Mesmo quando pareça um resultado feliz o que faça.
Looks like someone has to pay… Alguém gasta sua provável sanidade em prol de nos fornecer – mesmo que de maneira mediata - arte, ou, na interpretação de alguns simplistas, entretenimento.
Enquanto o vinho branco desce macio ou não nas goelas secas da galeria, há alguém de espreita. Mesmo que com luzes e louros, no fim, ao tirar as meias antes de deitar, ele sabe o que lhe custa e que nem tudo são os elogios, o valor, o merecimento. Não lhe cobre a agudeza de estar a todo tempo a mercê de ser o que é, de reflorestar sentimentos doídos e, pior, escancará-los da maneira mais crua e esquizofrênica, sem as lacas do bom comportamento. Mostram seu sexo, seu medo, seu escuro.
Já viu o Basquiat? Beuyes? Pollock? Actually, Fernando Pessoa, escrevendo suas barcas em inglês na África, se entregando à insônia de pensamentos mais doídos do que a morte de uma criança? Leonilson?
Olha lá, presta atenção lá, por entre o feixe dos respingos de tinta, entre uma coisa e outra, veja se não emerge a dignidade de se falar o que se fala, põe a cara no lugar, ajeita a sobrancelha e reconhece a coragem de se ser uma pessoa abaixo do cutâneo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Uberlândia tem uma felicidade que incomoda. Não sei se é felicidade, mas um ensolarado que nunca acaba e nem desbota. Sol, sol, sol. Sibipirunas ensolaradas. Sete-copas derramando folhas no chão, na porta do boteco. Tias lavando calçadas (sem discurso sobre desperdício). Manhãs com sol baixo e frio de por a mão no bolso, até a hora em que chegue o recreio. E você, se estiver por lá, em qualquer rua, talvez em alguma calçada de desânimo, verá sempre que há uma criança voltando de mochila da escola, se entregando a pássaros cantando, luz de quatro horas, como se a vida fosse sempre aquilo, sem desapego, sem medo de não ir pra casa, te lembrando que esse seu olho de protagonista deveria se entregar a um pouco de cenário.

inevitável

Daffodil Lament - The Cranberries

Holding on that's what I do
since I met you
And it won't be long, would you notice
If I left you
And it's fine for some 'cause you're not the one
All night long, I laid on my pillow
These things are wrong
I can't sleep here
So lonely, so lonely
I have decided to leave you forever
I have decided to start things from here
Thunder and lightning won't change what I'm feeling
And the daffodils look lovely today
Oh in your eyes I can see the disguise
Oh in your eyes I can see the dismay
Has anyone seen lightning
Has anyone looked lovely
And the daffodils looked lovely today
Looked lovely
Apertei forte minha língua contra o céu da boca e me veio um gosto assim de batata doce, ou doce de batata doce. Pensei várias coisas. Vim cantando com lágrimas engasgadas. Coisas de quando alguém devia ter apertado um pause, uma coisa assim, pra que um ponto da vida durasse mais do que uma faixa do disco. Lembrei da conversa que tivemos no Rio de Janeiro. Nostalgia, por que não? Uma casa cheia de plantas como cenário. Canos que estouravam – e eram o único problema que tínhamos. Na verdade, existiam outros, falsos. E aquilo tomava um tempo idiota da gente... Podiam ter avisado que aquilo era tudo mentira. Mas, mesmo assim, dava certo. Havia tapetes, jantares, pessoas numa festa o tempo inteiro. E esses problemas de mentirinha iam virando casquinha de machucado, até uma hora em que, no banho, percebia-se que, cadê?, tinha sumido.
Ai, tantas salas. Tardes.

Só Daffodil´s lament pra me entender hoje...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

27º


Anfitriãs:
- Valéria Lopes Ribeiro
- Laura Sampaio Salomão


Perdição:
- Bolinho de aipim (mandioca pra turista) com carne seca, do Odorico, em Botafogo
- Bolinho de camarão com catupiry e pastelzinho de angu com carne moída, do Bracarense, Leblon
- Pudim suíço, bolo de nozes, pastel de forno de palmito, viradinho de ameixa da Confeitaria Colombo

Look
- Meninos: cabelo encaracolado, barba por fazer, bermuda abaixo do joelho, tênis skater, pouca meia, camiseta (de noite ou de dia)
- Meninas: ah, deixa pra lá...

Interação
- Caninos no calçadão

Sound track
- À francesa - Marina Lima

Transporte
- ônibus/frescão
- vã van com Nuno Leal Maia
- pé dois
- táxi ao som alucinado de Michael Jackson

Outros olhos
- Arpoador
- Pão de açúcar
- Lagoa Rodrigo de Freitas
- todo azul do mar

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Minha alma é branca, leve e cavalga de noite feito assombração. No escuro, abrindo-se bem os olhos, pode-se vê-la, ou senti-la, de voil, de seda e gomos de algodão embaixo. Debaixo do lençol, ela faz volume e sonha sob ventos de telha e barulhos desconhecidos (cupins?).
E aí, tudo é convite como uma curva de quem deita de lado, de quem deixa um quadril sobressair, como na escultura em cerâmica.
De noite, sonho.

terça-feira, 14 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Ontem, indo pra casa numa tarde cinzenta de chuva e faróis ligados ainda de dia, alguma conexão com uma névoa persistente e foi natural escutar o som de um caminho que existe entre eu e você. K´s Choice começou na pista com a impertinência de sempre (“not an addict”). E enquanto aquela voz rouca gemia, pensei, sim, nossa amizade não mudou, não mudou ao longo desses anos, mas..., e a gente? Onde fomos parar? Cadê eu, cadê você? Meninos de vinte anos descobrindo o mundo, desbravando sem pensar, sem culpa no cartório. Cadê nossa companhia um do outro? Seu carro sempre limpo, nossa presença, os discos, as músicas, cerveja em qualquer lugar, cadê tudo isso?
Eu não sei se me é suficiente saber que existem essas imagens na cabeça pra quando se quiser consultar, ou saber que um amor subsiste ao tempo sem a presença de seus personagens. Eu sou uma pessoa inconformada. In-con-for-ma-da. E as dores não me doem menos pelo entendimento, sou como uma criança que se representa no limite entre entender e permanecer querendo.
E então? Fico com esse esparadrapo aparente, destoando da minha roupa limpa - objeto de olhares no elevador. Fico numas migalhas de sentir perfumes em pescoços por poucos segundos e, depois, me valer da lembrança dos cheiros pra me embalar o sono. É nisso que pareço me resumir.
Nosso abraço é sempre tão apertado... Há verdade nele. Há verdade em nós nos abraçando...
De noite, com as pedras na rua a interagir com algum carro, em Munique, com a cabeça encostada no travesseiro pra não cair de tanta vontade, de tanta lembrança, eu sonhava, sonhava em afundar o nariz de lágrimas em você..., tantos momentos, tantos momentos em que segurava sua mão na minha debaixo da coberta... Depois, 2006, 2007, 2008..., olhar pela janela não aliviava, e eu suava a mão, suava, agonizava, e esperava ver o conforto do seu perfil no carro, cheiro de roupa lavada e perfumes, seu cabelo curto, longo, seu nariz de cartilagem dura, rescue, rescue...
Vou me salvando de necessidade, me agarrando nas gramíneas até a superfície, vou fazendo trinta anos, dez, vou ficando velha e menina de vontades e sonhos macios com cheiro de Comfort, porque não quero mudar por dentro, não quero deixar de esperar pelo seu braço na madrugada...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

minimalismo necessário
















Acontecimentos
(Marina Lima e Antonio Cícero)

Eu espero acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você
Como pode
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes
O que que há com nós dois amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tears roll down é o nome da música. De tears eles entendem. No meio de uma frase (“I wish you were my enemy...”), o inevitável se fez presente e, de vapor, nos dois olhos, por debaixo dos Ray Ban, pôde-se dizer que tears rolled down. Mas foram poucas gotas. Poucas, mas as únicas.

Eles sabem doer.
Why do people hurt people?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Parecia filme. Filme, não. Livro – com cinematografias só na nossa cabeça. Eu tava no meio de um livro do Marcelo Rubens Paiva e não tava sabendo. Estorvo também poderia ser.
A mata, à direita, à esquerda, densa, engolia de canto de olho, sensual. Morros de contornos escondendo o todo. Eu, de admiração, soltava suspiros como desculpa para sorver todo aquele ar. E pequenas e puntuais florzinhas de um alaranjado fosco e rosa discreto. Me arredondei de todo o verde, deixei ser torneada de mato. Chuva, névoa, cobertura de morro. Chuva de verdade, sem exagero, sem espanto, mas, inteira.

No fórum, de repente, pessoas e mais pessoas, advogados se trombando, se beijando de rostinho, pessoas uniformizadas, mais pessoas uniformizadas. Manifestação do lado de fora. Só faltava a imprensa. E eu no meio de tudo. Anotando. Sendo alvo fácil de olhares dos velhos com ternos sem combinar. Mais pessoas uniformizadas. Parece que Minas Gerais inteira resolveu caber no saguão do foro, de repente. Senti uma nota de corredores que eu já conhecia.
O sol veio por instantes só pra agredir os olhos de quem visse a camiseta alaranjado-gás do aglomerado de gente do outro lado da rua.

sábado, 28 de março de 2009

quarta-feira

Hoje, eu só penso em outras palavras.
Outras.
Tô com um ar preso aqui na saída do pulmão, ou é o esôfago?
Será Urano entrando em escorpião?
Às vezes escorrego aqui pra dentro dessas mantas e não combinam mais comigo os traços do cotidiano que tive que escolher. Sou uma "louca-certinha". Negligente (se demorando no -gen-).
Existe uma janela na minha frente, por isso, faço isso. Uma, não, várias. Passagens. E as coisas aqui são insuficiências.
Toda hora querendo ser eloqüente, toda hora! Isso assusta as pessoas. Não devia, mas assusta.
E o que que tem? O que que tem, minha gente (ficou engraçado isso aqui...)? Por que não? Que medo é esse da palavra, da língua? Que medo da minha bondade que cintila, uma bondade com pouca calma, mas é uma bondade, uma grande. E eu não quero me culpar. Não sou errada de ficar falando de lua no meio do engarrafamento.
Gente, me deixa! Deita aqui um pouquinho comigo desse lado da cama. Se entrega a um pouco de suavidade - coisa que também sei ter. Desse lado da cama, quando eu deito, meu nariz entope, mas não tem problema. Eu me acostumo. Vem cá, de cabelos e mãos e pele macia, me acaricia nesse cantinho da nuca, igual minha mãe faz lá em Goiânia.
Eu sou molinha, molinha, de pescoço caído de cachorro filhote, quase viro as pernas pra cima como patas.
(...)

sexta-feira, 27 de março de 2009

who´s gonna ride your wild horses?

quinta-feira, 26 de março de 2009


Não Sei Dançar (Alvin L.)

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista p'ro mar
Ou outra coisa p'rá lembrar
Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei se eu mereço
Os quartos escuros pulsam
E pedem por nós
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista p'ro mar
Ou outra coisa p'rá lembrar
Se você quiser eu posso tentar mas
Eu não sei dançar
Tão devagar p'rá te acompanhar.

terça-feira, 24 de março de 2009

tua glória - para Agda Santches

ah, abelha rainha,
faz de mim
um instrumento de teu prazer
sim, e de tua glória
e de tua glória
Rafaella Biase Callegari (com dois "elles", bem tilintados no céu da boca), você é digna de ser odiada...

comichão e dormência.

a título de qualquer coisa

Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista e escritor brasileiro.
Apontado como um dos expoentes de sua geração, sua obra, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, medo, morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".
Cursou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para escrever para revistas de entretenimento, como Nova, Manchete, Veja e Pop. Em 1968, foi perseguido pelo DOPS, e acabou se refugiando no sítio da escritora Hilda Hilst, em Campinas. No início dos anos 70, exilou-se por um ano na Europa, passando por países como Inglaterra, Suécia, França, Países Baixos e Espanha.
Em 1983, mudou-se de Porto Alegre para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. Voltou à França em 1994 e retornou no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV. Faleceu dois anos depois, em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais e dedicando-se a tarefas como jardinagem.
Eu acabo tendo um preconceito, uma coisa de achar que homem não sabe ser sensível o suficiente, não sabe fazer brotar e quase me esqueço do Caio Fernando Abreu, Paulo Leminski.
Vocês já leram o Caio Fernando Abreu? O nome me é conhecido – prateleiras e matérias no Entrelinhas da TV Cultura -, mas ainda não tinha lido nada e achei um link do blog dele no site do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB.
E ele fala de um jeito, de dedos, saias de veludo, memórias de céu de criança ao entardecer...

E o pior é que comecei a ler uma estorinha dele que é mais ou menos uma que eu estou escrevendo. Vou ser acusada de plágio, ou essa temática do desencontro da infância é um patrimônio universal da humanidade?

sexta-feira, 20 de março de 2009

when you were here before
i couldn't look you in the eye
you're just like an angel
your skin makes me cry
you fell like a feather in a beautiful world
i wish i was special
you're so fucking special
(...)