terça-feira, 29 de novembro de 2011


(Se eu morrer hoje, saiba que é por sua causa.)

Eles queriam refazer aquilo que poderia ter sido a única viagem boa que havia acontecido. Pelos menos, em tempos mais genuínos, aos olhos dele.
São Luís. “Lembra daquele amorzinho gostoso que a gente fez na praia?”
Areia, águas, sal, doce. O mesmo restaurante, o mesmo café onde havia aquele sanduíche. Ela poderia dançar o reggae, ele prometeu, poderia se esparramar, faceira como ela gostava de ser antes, espalhar os cabelos negros, perfumando o ar. Ela poderia, ele prometeu. 
Mas ela, economizando todo aquele momento, sem briga, imaginando o mar, pensou não saber se teria coragem. Mas se alegrou, acreditou, não quis se arrepender. Comprou um biquini branco para a pele mais morena, fez planos no ouvido e também prometeu. Prometeu, imaginou, pensou que podia dar certo.
O vestido ramado. As pernas se movimentando no relevo da areia. Raio de sol queimando. E olhá-la contra o sol, de revés, fazia aquilo parecer uma aparição.
Ela podia ter esquecido que era aquela mesma praia, naquela mesma praia. Há tanto tempo atrás… Mas, na beira do quiosque, o telefone público… o telefone, onde há tanto tempo, falava com alguém porque o radio tocava Marina Lima…
Há tanto tempo…
Ela pensou que ia dar certo…

2 comentários:

Babi Dayrell disse...

Meu inconsciente canta "uma noite e meia"... era essa a trilha sonora?

Selva Selva! disse...

talvez... tantas poderiam ser...